quinta-feira, 26 de novembro de 2009

OSCAR WATCH - De olho no futuro

You can put your money on them!

A arte da adivinhação é um negócio complicado. Muito admirada, é cortejada por oportunistas e perseguida por gente um pouco mais séria, ela é em algumas profissões, uma qualidade bastante desejada e que se pretende imperceptível. Médicos e economistas fazem uso dela quase ininterruptamente. O truque é não demonstrar que se trata de uma adivinhação. Escondê-la por meio de fundamentações deslocadas ou superadas pode ser uma ferramenta útil. Nós, cinéfilos, nos lançamos a essa arte, mais imputáveis à primeira categoria do que à segunda, sempre que se espraia a temporada de premiações no cinema. Apaixonados por cinema, mídia, críticos e publicações especializadas tentam antecipar os integrantes das mais badaladas premiações. E apontar também os vencedores. Como a temporada de premiação ainda não se iniciou seria precoce dar nome aos bois. Ou seja, dizer quem vai ao Oscar, globo de ouro e congêneres. Como os primeiro termômetros (os prêmios de sindicato e associação de críticos) só se iniciam em dezembro, e muitos dos concorrentes nem sequer estrearam, seria pueril acreditar ser possível fazer prognósticos certeiros. Contudo, alguns projetos e alguns nomes podem, e devem, ser levados em grande consideração. Em parte devido ao calibre da produção em questão, em parte pelo bafafá da critica ou por pura intuição. São esses que Claquete apresenta aqui para você. Nesses, você pode investir seu dinheiro.

Nine
O musical dirigido por Rob Marshall (Chicago) é a adaptação da peça de mesmo nome, que por sua vez foi inspirada no filme 8 e ½ de Fellini. Musicais são por hábito benquistos pela academia e festejados no círculo de críticos. Imaginem um filme com esse pedigree. Que além de esmerar-se na obra mor de Fellini, conta com um elenco sublime com nomes como Daniel Day Lewis, Nicole Kidman, Judi Dench, Penélope Cruz, Fergie, Kate Hudson, Sophia Loren e Marion Cottilard. Há ainda um dado curioso sobre Nine que pode lhe favorecer. Na presente década que se encerra, o ator Daniel Day Lewis (conhecido por ser um ator bissexto) só atuou em três filmes. Gangues de Nova Iorque (2002), O mundo de Jack e Rose (2005) e Sangue negro (2007). O ator engatou em Nine, menos de um ano depois de terminar seu trabalho em Sangue negro. Algo raríssimo. Certeza de que é coisa boa.

Exuberância e pompa: Nine é figurinha certa no Oscar 2010

George Clooney
Se existe outra figura muito querida em Hollywood, essa figura é George Clooney. Diferentemente de Day Lewis, Clooney trabalha quase em ritmo industrial. Alia projetos comerciais, como a trilogia de Onze homens e um segredo, com projetos mais sentimentais, como Boa noite e boa sorte. Esse ano, o ator, embora em proporções mais tímidas, tem a chance de reviver seu ano artístico mais glorioso. Em 2005 por Boa noite e boa sorte e Syriana, Clooney foi figura carimbada em todas as premiações possíveis e imagináveis. Esse ano ao reeditar a parceria com o co-roteirista de Boa noite e boa sorte Grant Heslov, que estréia na direção em The man who stares at goats, e ao juntar forças com outro atual american darling, o diretor Jason Reitman, em Amor sem escalas, Clooney vê suas chances, literalmente, dobrarem na temporada mais concorrida de Hollywood.
Clooney já está preparando o smoking

Matt Damom
Ele surgiu junto com Ben Afleck e foi no Oscar que se apresentou ao mundo. Daí em diante, ele e seu chapa seguiram caminhos opostos. Matt Damon é um ator confiável e que gosta de trabalhar com diretores criativos e ressonantes como Martin Scorsese, Paul Greengrass e Steve Soderbergh. Contudo, desde Gênio indomável ele não figura entre os credenciáveis para o oba oba das premiações do cinema. Até agora. Ao juntar-se a Clint Eastwood para rodar um filme sobre o apartheid africano (eles já estão juntos em um segundo projeto, denominado hearfter) e de colaborar de forma mais séria, mas sem perder o senso de humor, com Soderbergh em O desinformante, Damom parece aposta certa esse ano. Afinal de contas já passou da hora de enaltecer não só o talento, mas o excelente faro para bons papéis desse ator. E ele ainda deu a canja de estar, para variar, ótimo.

Damom: Muito mais do que Jason Bourne
Carey Mulligan
Todo ano é preciso evidenciar o trabalho de uma atriz ou ator da nova geração. Essa passagem de bastão, com o aval da indústria, é tão tradicional quanto saudável. E esse ano é a vez de Carey Mulligan de 24 anos. Não tão nova assim, mas talhada para brilhar. Algo que deve acontecer intensamente após sua performance em Sedução (an education) correr o mundo. Por viver uma adolescente indecisa (convenhamos nada de novo) em um drama sobre as escolhas da vida e como nos cercamos delas, Mulligan despertou elogios vultosos da critica americana. Seu nome, portanto, já é quente.

Ela vai polarizar atenções...

Distrito 9
Certamente esse filme fará figura nas cerimônias de premiação do inicio de 2010. Oxalá não belisca uma vaga entre os 10 finalistas a estatueta de melhor filme do ano no Oscar. Algo que parecia improvável com 5 concorrentes, soa natural em um pleito com 10. Não houve, pelo menos até agora, filme mais feliz em ajustar originalidade á um discurso que a academia de Hollywood aprecia (preconceito racial). E é ficção científica, um gênero há muito desprestigiado na categoria principal do Oscar que pode voltar com força esse ano (ainda há Avatar de James Cameron).
O nome do querido e admirado Peter Jackson por trás da produção ajuda bastante.

Audrey Tautou
Hollywood anda se rendendo as estrangeiras ultimamente. Elas têm ganhado cada vez mais papéis importantes e, no que mais impressiona, prêmios importantes. As vezes por filmes que não são nem mesmo falados em inglês, caso de Marion Cottilard que por seu papel como Edith Piaf tirou, há dois anos, o Oscar da favorita Julie Christie ( já ela uma estrangeira, uma inglesa) por Longe dela. Kate Winslet, Penélope Cruz, Tilda Swinton são algumas outras estrangeiras que tem roubado a cena, e o careca dourado, das americanas.
Audrey Tautou tem uma vantagem que Marion não tinha. Já é conhecida do público e da critica americana, estrelou o blockbuster O código DaVinci, e estrela uma biografia (sub gênero afeito a premiações) de uma personalidade extravagante, Coco Channel. O fato de o filme ser falado em francês é só um detalhe em um circuito de premiações cada vez mais internacional.


Audrey faz pose: Repara como ela tem estilo...


Abraços Partidos
O filme não foi escolhido para ser o representante espanhol na luta por uma vaga entre os selecionados estrangeiros do Oscar da categoria. O que parece suicídio ou sandice é, na verdade, fruto de uma pendenga entre Almodóvar e o ministério da cultura da Espanha. Seu filme, no entanto, deverá estar presente em premiações diversas, inclusive no Oscar. Além da possibilidade de ganhar em quase todas as premiações de críticos como melhor filme estrangeiro, Penélope Cruz pode ser lembrada também.

Bastardos Inglórios
Não é só Tarantino quem acha que esse filme é sua obra prima. Muita gente o acha superior até mesmo a Pulp fiction. E isso deve se refletir na temporada de ouro. Algumas indicações já são tidas como certas. Caso da nomeação do austríaco Christoph Waltz na categoria de ator coadjuvante. Outros palpites são aventados como direção de arte, fotografia, figurino e roteiro. Mas ao que importa: não se assustem em ver Quentin (como diretor) e o próprio filme entre os highlights da temporada.

Clint Eastwood
Outra figura que, principalmente a partir dessa década, só se dedica a filmes “com cara de Oscar”. Só por esse rótulo já dá para ter uma idéia do que esperar de Invictus sobre a cruzada de Nelson Mandela por uma África do Sul mais pacífica. Clint pode até não ganhar nada, mas é convidado de honra em toda a premiação que se preze.

Clint em preto e branco: bem longe do "Go ahead punk. Make my day!"

Jane Campion
Uma das únicas três mulheres a conseguir uma indicação ao Oscar na categoria de direção, Campion não deve repetir a dose, mas o roteiro de Brilho de uma paixão deve lhe valer passe livre entre a nata da produção cinematográfica de 2009. O filme ainda tem outras chances também, mas definitivamente, é na figura da cineasta que residem as reais chances de triunfo.

Janie Campion entre os protagonistas de seu filme, Ben Wishaw e Abbie Cornish

Precious
Todo ano tem que ter um independente para polarizar as atenções. Precious é a bola da vez. O filme sobre uma adolescente negra e obesa hostilizada por onde quer que passe tem cativado a todos desde o festival de Sundance em janeiro. O cume de seu desempenho, no entanto, se aproxima.

It´s complicated
Nancy Meyers talvez seja a diretora e roteirista que melhor saiba manusear temas espinhosos com graça e presença de espírito. Seus filmes geralmente agradam público e critica, mas não recebem muita atenção nas cerimônias de premiação (por se tratarem de comédias leves). It´s complicated, estrelado pela acadêmica Meryl Streep, é o filme na hora certa, do jeito certo. É aqui que Meyers abraça o drama dos temas que freqüentemente aborda, mas sem abrir mão do senso de humor, e confia seu ótimo roteiro a um belo elenco. Em um ano com 10 filmes indicados ao Oscar, Nancy Meyers pode ser a surpresa mais cantada de todos os tempos.



Meryl Streep e Alec Baldwin em cena de Simplesmente complicado: Com um título desse tudo fica fácil...

Oscar watch

A partir de hoje Claquete ficará de olho na movimentação da temporada de prêmios. Portanto, passa a ser editado a partir de hoje, essa chuvosa quinta-feira de ação de graças, o Oscar Watch 2010. Esse especial perdurará até março, mês da realização do Oscar, e trará entre outras coisas, quentinhas dos bastidores, críticas de filmes concorrentes, vencedores de outras premiações perfiféricas ao Oscar, perfis, opinião,fichas técnicas e curisidades. Porque cinéfilo que é cinéfilo passa o ano a espera dos " filmes de Oscar". Pois bem, é chegada nossa hora. Oscar Watch se apropriará de algumas colunas, aqui de Claquete, vez ou outra. E trará muitos post honorários, ou seja, exclusivos. Seja bem vindo, acomode-se, por que a festa do cinema está começando.

ESPECIAL ABRAÇOS PARTIDOS - Movie Pass

O Movie Pass de hoje destaca Minha vida sem mim (My life without me, EUA/ESP/CAN 2004). Um belíssimo filme dirigido por Isabel Coixet (de filmes como Fatal e A vida secreta das palavras) e produzido por Pedro Almodóvar e seu irmão, Augustín. A história de uma mulher jovem (Sarah Polley em performance arrebatadora) que ao descobrir que tem um câncer terminal, põe-se a elaborar como gostaria de passar seus últimos dias (isso incluí arranjar uma nova mulher para o marido, gravar depoimentos para as datas especiais, viver um adultério, entre outras coisas), é um filme sensível e que demostra o faro de Almodóvar como produtor. Coixet, embora seja bem mais convencional do ponto de vista da estética e da narrativa, emula Almodóvar na compaixão por suas personagens. Um filme que merece ser descoberto.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Critica - Coco antes de Chanel

Nos tempos do espartilho





Figuras históricas quando abordadas pelo cinema tendem a gerar controvérsias. Isso pode ser decorrente da disposição em desconstruir a personagem em questão, sendo assim o próprio filme combustão de polêmicas e indagações, ou pela postura reverente, e por vezes, enfadonha que se adota em alguns casos. Coco antes de Chanel (Coco avant Chanel, FRA 2009) se aproxima da segunda categoria.
A diretora Anne Fontaine (de ótimos filmes como Nathalie X e A garota de mônaco) sempre se interessou pela força do feminino. Natural que uma figura histórica tão importante para conquistas femininas despertasse o interesse da diretora. No entanto, seu filme peca não só pela adulação que faz a estilista (seria surpreendente, e talvez mal sucedido se não o fizesse), tão pouco pela omissão de importantes traços da trajetória de Gabrielle Chanel, como seu flerte e apoio ao regime nazista, o maior erro do filme é sugerir que as conquistas de Chanel não são realmente, ou inteiramente, suas.
No filme, acompanhamos Coco (como era chamada, em virtude de uma canção que cantava em parceria com sua irmã em uma boate) debater-se com sua inadequação á valores e costumes da França pré-primeira guerra mundial. Testemunhamos seu envolvimento com Balsen, homem rico que lhe cedera um teto em troca de favores sexuais. Fica claro no filme o inconformismo de Coco com uma nobreza de hábitos chulos e irresponsáveis. Mas sua atitude em nada rompe com isso, o que evidencia, a despeito da omissão do roteiro, seu gosto pela comodidade de certas situações (o que poderia ser potencializado se seu envolvimento com o nazismo tivesse sido abordado). Seu gênio para a costura é algo percebido pelo amante Boy, aristocrata inglês que mantém negócios com Balsen, por quem Coco se apaixona. É boy quem viabiliza a gênese da carreira de Coco. Uma mulher que embora se ressentisse da nobreza foi capaz de tudo para adentrar a suas hostes. Essa é a mensagem mais eloquente de Coco antes de Chanel. O triste é que não era para ser. Tudo o que poderia suscitar polêmica foi amenizado, ou simplesmente limado do roteiro. Contudo, na expectativa de emoldurar o retrato de uma mulher a frente de seu tempo, entrega-se um filme, que embora busque a adulação, deixa escapar a imagem de uma mulher mais oportunista do que com senso de oportunidade.
De qualquer maneira não deixa de ser regozijante ver uma história de triunfo real nas telas. Chanel manteve-se no topo, a despeito de alguns laços espúrios, por talento. Tal qual outra biografia de figura ilustre que promete render discussões semelhantes, Lula - o filho do brasil, Coco antes de Chanel esquivou-se dos elementos sombrios de sua biografada. A mulher que redefiniu o corte e costura e ajudou a redimensionar a posição social da mulher em uma sociedade, favorecendo - através de suas roupas, a individualidade de cada uma, recebeu um tratamento pouco satisfatório no cinema. O que há de mais notável em Coco antes de Chanel é mesmo Audrey Tautou, uma presença que de tão poderosa chega a emocionar, mesmo em um filme tão etéreo quanto um corte bem feito.

ESPECIAL LUA NOVA - A voz do povo e a voz da critica

Análise: Falem mal, mas falem de mim!

Lua nova é o tipo de filme a prova de críticas. O que para os produtores e para a autora Stephenie Meyer deve ser revigorante. Não deve deixar de ser um tanto incômodo (para eles) a forte resistência que o filme enfrenta na critica especializada. Que encontra mais destempero e virulência na atuação da crítica brasileira. A atriz Kristen Stewart disse recentemente que o público que sentiu ser o mais apaixonado, dentre os países que visitou, era o brasileiro. É aqui também que Lua nova obtém menos tolerância. O famoso crítico de cinema brasileiro Rubens Ewald Filho disse: “A má notícia é que dá impressão que não melhoraram de propósito, este segundo capítulo é quase tão ruim quanto o primeiro. Tem pouca ação, é interminável e com vários finais (depois que se percebe que são realmente 130 minutos), os efeitos especiais não melhoraram (os lobisomens são falsos e mal feitos e deixam saudade do Lobisomen Americano em Londres feito há mais de 20 anos).” O respeitado Pablo Villaça embora enalteça os esforços do diretor Chris Weitz lembra: “Lua nova está perigosamente perto de ser um filme ruim, já que insiste em acompanhar um romance profundamente entediante.” E ironiza: “Considerando o talento de Bella para atrair pares românticos bizarros, mal posso esperar para chegar ao quarto filme da série, quando ela provavelmente já estará sendo disputada não apenas pelo vampiro Edward e pelo lobisomem Jacob, mas também pela criatura de Frankenstein, pelo monstro do pântano e por Freddy Krueger. A esta altura, as fãs da ‘saga’ Crepúsculo certamente estarão ainda mais comovidas com a natureza sofrida da garota, enxergando-a como uma romântica inveterada.”
Essa tem sido a tônica da critica nacional para com Lua nova. O filme, não tem um panorama muito melhor em escala internacional não. Das 161 resenhas cadastradas no site Rottentomattoes, 113 avaliam o filme como ruim. Um aproveitamento de apenas 30%. Para efeito de comparação, Abraços partidos, outro filme com especial sendo publicado atualmente aqui em Claquete, tem 81% de aproveitamento com 280 resenhas publicadas. Mas Almodóvar é outro papo.

Veja a seguir um pouco do que foi dito sobre o segundo filme da saga Crepúsculo:

“Apesar da tentativa acima das expectativas de Chris Weitz, essa é uma história sem nenhuma qualidade real”
Jimmy O. do site Movie Emporium

“Um de seus pretendentes fica fora a noite toda com seus amigos estranhos, enquanto que o outro faz seu “ momento Brokeback Mountain” na florestas com seus chapas”
Michael Szymanski, da revista Sci-fi weekly


“Lua nova não tem bem uma história; o negócio é Bella sofrendo pelos cantos. Mas o diretor Chris Weitz sabe uma ou duas coisas sobre o amor...”
Rob Gonzáles do site efilmcritic

“ Alterna-se entre uma horrenda soma de maus diálogos e um humor tolo para adolescentes;exceto por alguns bons momentos envolvendo os lobisomens e os Volturi.”
Edward Douglas do site coomingsoon.net

“A narrativa é truculenta, o compasso é lento, é muito longo e, bem, não acontece muita coisa...”
Scoot A.Mentz do Access holywood

“Não vai desafiar Titanic em termos de profundidade, mas a saga Crepúsculo é mais do que uma novela focada em adolescentes na tela grande.”
Jeffrey Lyles do site Gazette

A segunda mordida é sem graça
do jornal inglês The Sun

“Um triunfo...para twilighters”
Larry Carroll no blog da MTV americana

“Se você se importa com coisas como história e personagens, azar o seu.”
Leslie Gornstein do E! on line

“É certo que mais meninos verão Lua nova. É certo também que eles dirão que preferem esse ao primeiro, mas é mais certo do que tudo isso, que serão as adolescentes quem terão uma experiência plena e irrevogável ao assistir ao filme. E são somente elas, as pessoas capazes de tirar isso de Lua nova.”
Reinaldo Matheus Glioche do site Claquetecultural

O diretor Chris Weitz orienta Kristen Stewart: Ele deve estar com as orelhas ardendo

Passando a régua - o fenômeno em números:

+ Maior abertura do ano no Brasil (1, 4 milhões de expectadores nos três primeiros dias de exibição)


+Melhor média de público por sala no Brasil


+ Recorde de ingressos vendidos no regime de pré – venda no Brasil e nos EUA


+ Maior arrecadação da história dos EUA em um único dia (U$ 72,7 milhões)


+ 3ª maior arrecadação da história no primeiro fim de semana de exibição no mercado americano (U$142,8 milhões)


+ A maior arrecadação da história no fim de semana de estréia de um filme que estreou fora do verão americano


+ De acordo com levantamento do estúdio responsável por Lua nova, a Summit, 80% desse público era composto por mulheres e 50% com menos de 21 anos.


+ Estreou em primeiro lugar nas bilheterias da Itália, Inglaterra, França, Brasil, EUA, Portugal, Espanha, Alemanha, entre outros



Fontes: sites Cinema em cena,r7, IMDB, rottentomatoes e boxofficemojo

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ESPECIAL ABRAÇOS PARTIDOS - Ponto crítico

Claquete inaugura hoje, ainda que sem periodicidade definida, uma nova seção. Em Papo critico, um ou mais críticos de cinema irão abordar, debater, reverberar a obra de um diretor, um filme, uma escola de cinema, uma tendência cinematográfica ou um aspecto mais específico. Pense nessa seção como um desmembramento da bem sucedida seção Insight. Nessa inauguração, o cineasta Pedro Almodóvar é tema de análise do critico de cinema e colaborador de um dos maiores sites de cinema do país, o Cineclick. Heitor Augusto demonstra, além de profundo conhecimento da biografia de Almodóvar, grande poder de contextualização. Ele desconstrói o homem para evidenciar o cineasta.





“Ninguém aborda o desejo como ele”


Singularidade - Heitor acredita que Almodóvar se destaca porque alia recursos valiosos que outros cineastas dispõe, mas imprimindo uma marca pessoal arrojada.“Ninguém aborda o desejo como ele! Especialmente o desejo na sua forma mais dantesca, a neurose a crueldade.Outra coisa que faz Almodóvar ser singular é a maneira que ele trata o absurdo (ou o que convencionamos entender como absurdo) com tremenda sinceridade, mas sem julgamentos. Não foge da raia em mergulhar no que quer, mas não condena seus personagens.”


A extravagância do colorido – Para o critico as cores surgiram para Almodóvar com a mesma naturalidade que o cinema se desvelou para o homem interiorano que chegou a cidade grande. A profusão de referências pop aliadas a truculência de uma ditadura militar alinhavaram, na opinião de Heitor, a identidade visual do cinema de Alomodóvar.
Almodóvar se mudou pra Madrid lá pro fim dos anos 60 porque queria fazer cinema. E o que existia nessa época? Andy Warhol, liberação sexual, Caetano Veloso, David Bowie e Dzi Croquettes. O que falam? Muito sobre o sexo e androgenia humana, libertação por meio do comportamento. Um caldeirão comportamental e cultural que é dividido por todos.
Enquanto a ditadura existia por lá, vários artistas tentavam burlar a linha oficial do país, buscar uma arte que fosse extremamente libertadora de anos de repressão e essencialmente underground (por forças da circunstância). Por isso que quando Franco saiu do poder, explodiu a tal da La Movida Madrilena: quando acabou a ditadura, “surgiu” (na verdade, pra mim, passou a ter espaço pra ser visto) esse momento, de cinema, artes plásticas e teatro.
Aí um cara do interior
vai pra capital e vê tudo isso acontecendo e se acha. Voilá! Você consegue imaginar os anos 60 sem se referenciar a cenários coloridos? Pra mim, a gênesis do excesso de cores está nesses fatores: um desejo de fazer o oposto ao cinza e ao momento sisudo do período de ditadura, aliado ao que acontecia nos anos 60 e também às referências visuais (Andy Warhol e Fellini, por exemplo) e conceituais/temáticas (Buñuel e surrealismo).”


Ele já ganhou um par desses...



A comunicabilidade de seu cinema - Os filmes de Almodóvar são sempre comunicativos e tem a capacidade de se comunicar de forma inteiramente distinta com um mesmo público, em momentos diferentes da vida. Para o crítico, o cineasta valoriza as subjetividades e a contundência de seus personagens e discursos são tanto sua responsabilidade, quanto de quem assiste. “ Em Labirinto de Paixões acho muito mais provável que a sexualidade atinja um público jovem, especialmente um gay adolescente, que esteja naquela fase em que quebrar regras e chutar o pau da barraca é o que vale.
Talvez para os mais velhos, o filho do magnata em Abraços Partidos seja mais contundente. Afinal, ali o diálogo é mais psicológico, esbarra no autoritarismo, posição paterna, a resposta que o ser humano dá quando se sente ferido.
Tudo isso eu digo pra defender que, quanto à sexualidade, depende de qual fase da vida e do acúmulo de vida que o espectador tenha e esteja para achar que “A” ou “B” é mais contundente pra ele.
O mesmo pra religiosidade: a de “Maus Hábitos” pode conversar diretamente com um jovem que acabou de descobrir meia dúzia de sacanagens que a igreja fez ao longo da História. Talvez alguém mais velho se identifique mais com “Má Educação”, porque aquele mundo é contado pelo olhar de alguém que sentiu e passou por tudo aquilo. Alguém adulto e com outras experiências ao longo da vida.”




Em Abraços partidos o diretor colabora pela quarta vez com sua atual musa, Penélope Cruz

Pessoalidade e evolução – A despeito das afirmações (na grande imprensa) de que o cineasta vinha sendo mais introspectivo em seus filmes, Heitor as relativiza. Lembra que elementos de cunho pessoal sempre pautaram a obra do diretor, que não esconde o viés terapêutico que seu cinema lhe proporciona. “ não concordo da premissa que apenas em “Má Educação” e “Volver” ele tratou de temas pessoais. Se você disser que nesses dois filmes seus fantasmas estão mais claros, concordo, afinal, “Volver”, por exemplo, se passa em um lugar rural que, por 'acaso', vem a ser La Mancha, onde o nosso diretor nasceu.
Antes de condenar a igreja em “Má Educação” – eu acho que sou um dos poucos dentro da imensa e heterogênea crítica brasileira que não execra esse filme – ele a ironizou em “Maus Hábitos”. Existe, sim, a igreja que é referência da infância dele, mas também existe a igreja que representa o conservadorismo e apoiou o Franquismo. Ou seja, a igreja do “eu sujeito individual” e a do “eu sujeito coletivo”. E ele maltratou as duas nesses filmes.
Em “Kika”, a Kika é mais mãe do que mulher dos caras que ela se envolve. Mas a figura do tempo toma pesos maiores quando se envelhece, e por isso eu acho que ele vai acertando, pouco a pouco, suas contas com a posição de mãe. Por exemplo: “Abraços Partidos”. A mãe desse filme, tem um lado cuzona muito forte, mas ela tenta proteger seu filho de todas as maneiras (mesmo que da errada). É como se ele desse um sinal (para si próprio e para o espectador): olha, ela não é perfeita, mas teve lá suas razões.
Essa mãe, pra mim, é a mesma mãe morta-viva de “Volver”. Tá claríssimo que ela está longe do projeto perfeito de mãe. Mas, ao longo do filme, vamos pensando 'ah, bem que ela tentou, né?'. O tempo, para um homem que hoje tem praticamente 60 anos, ajudou a redefinir essa mãe.”


Lado feminino - Almodóvar é um cineasta que como poucos emula o feminino. E isso não é fácil de responder o por quê. Para o crítico, o cineasta provoca empatia entre pessoas com o lado feminino aguçado. Podendo ser homens, mulheres, gays, travestis, transexuais e etc. “ Acho que quem tem um forte lado feminino dialoga diretamente com o cinema de Almodóvar, porque ele é, em sua essência, sensível e melodramático.”
Heitor ainda acrescenta: “Outra característica geralmente o associa à mulher, que é a neurose. Aliás, ele adora personagens neuróticas.”


Para quem quer descobrir Pedro Almodóvar, Claquete recomenda, além de ver seus filmes, ler o belo livro Conversas com Almodóvar.









Editora do livro: Jorge Zahar
Autor: Frèdéric Strauss
Ano: 2008

Fotos: divulgação

As feras e o belo

Conforme edita dois especiais simultaneamente, Claquete promove enquetes a respeito dos filmes que são temas desses especiais. Uma dessas enquetes perguntava ao (e)leitor do blog qual é a principal musa de Almodóvar. Houve um empate na primeira posição. Penelope Cruz e Carmen Maura (que dividiram a cena em Volver) empataram na preferência do público com 40% cada uma.


Elas dividem a preferência de Almodóvar e do leitor de Claquete

Enquanto isso, Claquete queria saber quem é o melhor par para Bella a humana as voltas com seres fantásticos na saga Crepúsculo. O vampiro charmosão vivido pelo galã Robert Pattinson levou a melhor sobre o bonzinho Jacob. Mas se nem mesmo Cristo foi unanimidade, Edward não haveria de ser, o vampiro light cravou 90% dos votos, mas não conseguiu se estabelecer como a primeira unanimidade em uma enquete promovida por Claquete.
Edward e seus 90%: Quem sabe quando eclipse chegar?

domingo, 22 de novembro de 2009

ESPECIAL LUA NOVA - Insight

Três é melhor!
Em Lua nova, o triângulo amoroso formado pela humana Bella, pelo lobisomem Jacob e pelo vampiro Edward é potencializado. Ele é sem dúvida alguma, além do fio condutor da trama, seu elo mais poderoso. A despeito da resolução do triangulo (até porque no cinema ele ainda não foi resolvido), é preciso admitir que existe uma forte predisposição humana a valorizar dilemas amorosos dessa natureza. Algo que o cinema explora muito bem.
A clássica situação de dúvida sobre qual o melhor repouso para o coração, não é algo novo. O dilema de Bella já foi abordado em outros filmes de maneira diferente, muitas vezes até mesmo mais satisfatoriamente, e sob variados ângulos e perspectivas.
Em filmes como Os sonhadores e E sua mãe também, assim como na saga Crepúsculo, os integrantes do triângulo amoroso são jovens e iniciantes nas coisas do amor. Em Os sonhadores, os irmãos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green) se envolvem com o americano Mathew (Michael Pitt) durante o maio de 68 na França. Em E sua mãe também, os amigos Julio(Gael Garcia Bernal) e Tenoch (Diego Luna) descobrem todos os sentimentos que se intercambiam ao amor, como ódio, inveja, luxúria, paixão, desapego, apego, traição e cumplicidade na figura de Luiza,uma mulher mais velha que os seduz.

Jacob, Bella e Edward: Os três vértices de um inusitado triângulo amoroso

O cinema nacional tem um triângulo amoroso dos mais poderosos a surgir no cinema nos últimos anos. Em Cidade baixa, os amigos Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Vagner Moura) põe a amizade a prova ao se apaixonarem pela mesma mulher, a prostituta Karina (Alice Braga). Em Vida bandida, Cate Blanchet é sequestrada por dois bandidos boa pinta, vividos por Bruce Willis e Billy Bob Thorton, e se divide entre os dois arquétipos de masculinidade que eles representam. Em Jules e Jim, de Francois Truffout, há a clássica disputa pelo coração de uma mulher, entre o Jules e o Jim do título. A pretendida é catherine (Jeanne Moreou).
Contudo, os dois exemplares mais eloquentes, sensuais, robustos e significativos de triângulos amorosos no cinema são Vick Cristina Barcelona, de Woody Allen e Proposta indecente, de Adrian Lyne. No primeiro há a incidência da casualidade, da sedução e do conflito entre impulsividade e controle como pouco se vira em filmes que se predispuseram a abordar triangulos amorosos no cinema até então. Juan Antônio (Javier Barden) tenta seduzir simultaneamente duas amigas. A inglesa Vick (Rebbeca Hall) e a americana Cristina (Scarlet Johanson). Tudo fica ainda mais complicado quando um quarto elemento surge, a ex – esposa de Juan Antonio, Maria Elena (Penélope cruz).


Triângulos amorosos no cinema podem ser sexy, dramáticos, românticos ou engraçados

Proposta indecente é mais feliz no comentário que elabora sobre as circunstâncias do poder. E de como esse elemento pode ser desestabilizador em um triangulo amoroso. No filme, o bilionário John Cage (Robert Redford) faz a chamada proposta indecente para o casal falido vivido por Demmi Moore e Woody Harrelson. Um milhão de dólares por uma noite com a personagem de Demi. Não é preciso dizer que essa proposta não irá mexer com o mundo de todos os envolvidos. Um filme sofisticado, que a despeito da solução um tanto conservadora, põe em debate um aspecto dos mais polêmicos sobre as razões, os efeitos, e as reverberações de um triangulo amoroso.

Negrito

Lázaro Ramos, Alice Braga e Vágner Moura em cena de Cidade baixa: Pode uma amizade resistir e intempestividade de uma paixão?

ESPECIAL LUA NOVA - Bilheteria

Conforme esperado Lua nova arrebatou as bilheterias americanas nesse fim de semana. Quebrou um recorde consolidado e deixou ótima impressão. Lua nova faturou U$ 140, 7 milhões. Fato que inscreve o longa como detentor do terceiro maior fim de semana de abertura da década, e da história do cinema. Atrás de Batman - O cavaleiro das trevas (2008), com U$ 158 milhões e Homem - aranha 3 (2007), com U$ 151 milhões. Lua nova quebrou um recorde consolidado e que parecia improvável de ser quebrado tão já. A bilheteria do primeiro dia do filme atingiu impressionantes U$ 72,2 milhões, superando a antiga marca, também de O cavaleiro das trevas, que era de U$ 67,2 milhões. Para se ter uma idéia essa cifra foi praticamente o valor de arrecadação de 2012, outro blockbuster em cartaz, em seu primeiro fim de semana no mercado americano.
Terça-feira vocês verão uma matéria especial analisando a repercussão de Lua nova no mundo. Nas bilheterias e na critica.